Quando fui secretário de saúde do Rio Grande do Sul pude ver de perto o surgimento e o crescimento acelerado da epidemia de dependência química que se espalha por todos os cantos. Não há rincão deste país onde o crack, por exemplo, não tenha feito vítimas. Além de um problema de saúde pública, essa epidemia é responsável pelo aumento da violência e da pobreza. Precisamos enfrentar esse problema. Tenho me dedicado a essa missão, tanto como deputado federal, como no período em que estive à frente do Ministério do Desenvolvimento Social.

O uso de drogas desagrega toda a família. Em geral, o dependente químico tem dificuldades para trabalhar ou mesmo não trabalha, não tem renda. É uma tragédia pessoal, humana e social. Nós temos que ter uma política para diminuir o número de pessoas nessa situação.

Existe, hoje, uma verdadeira onda de propostas liberacionistas. Todos os dias, na grande imprensa e no Judiciário, é possível ver campanhas que pregam a liberação das drogas como forma de resolver o problema da violência e da superlotação dos presídios brasileiros. Essa solução mágica parte de pressupostos equivocados, sem evidência científica.
Ao longo dos séculos, em nenhum momento da história humana esse tipo de proposta funcionou. Ao contrário, os países que agiram com mais rigor contra as drogas, como Suécia, China e Japão, foram os que mais reduziram a criminalidade e o consumo.

São evidentes os motivos que levaram o mundo inteiro a proibir as drogas -a devastação causada nos indivíduos, nas famílias e em toda a sociedade, pelo transtorno mental e comportamental que provocam, é avassaladora.
O transtorno mental causado pelos tóxicos é a principal causa de morte violenta no Brasil, não o tráfico. A violência acarretada por esse transtorno se manifesta de forma mais dissimulada e disseminada.
Os exemplos são muitos: os filhos que matam pais provocados pelo desespero de conseguir dinheiro para comprar entorpecentes, os homicídios por discussões banais, as mortes resultantes da violência doméstica, acidentes de trânsito com vítimas fatais, boa parte dos suicídios, etc.

As soluções mágicas apresentadas só irão agravar a violência que vivemos no dia a dia.
Vício e violência caminham juntos na maior parte dos eventos que degradam nosso convívio social.
A dependência química se espalha como uma doença, como um vírus. Quanto mais vírus em circulação, mais pessoas ele atinge. Com a droga é da mesma forma. Precisamos diminuir a circulação dessas substâncias para que elas não façam mais vítimas, mais doentes.

Como deputado federal, fui autor do projeto que atualiza a legislação de drogas com penas mais duras para traficantes e tratamento para os dependentes químicos. Enquanto ministro do Desenvolvimento Social e membro do Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas, Conad, aprovamos uma resolução de minha autoria para mudar a orientação das ações do governo em relação ao problema das drogas. Durante os últimos governo, as políticas públicas se basearam, principalmente, em ações de redução de danos que, como o nome diz, só reduzem danos, não resolvem o problema. Pela nova orientação, o governo brasileiro vai trabalhar para oferecer tratamento aos dependentes químicos, possibilitando que consigam recuperar suas vidas e autonomia.

Vou continuar nessa luta, precisamos aprimorar nosso sistema prisional e o rigor de nossas leis e restaurar a autoridade do Estado, dentro e fora dos presídios. Essa, sim, é a única fórmula real que reduziu a violência no mundo até hoje.

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